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Renda variável

Orçamento com renda variável: como se organizar quando todo mês é diferente

Autônomo, freelancer ou MEI: como planejar com receita que muda, o que dizem o Banco Central e o IBGE, os números do MEI em 2026 e como não confundir faturamento com o que sobra.

Publicado em 29 de outubro de 2026 · 6 min de leitura · por Equipe Sobrou

Linha ondulada verde-limão com altos e baixos sobre fundo verde-escuro, com pilhas de moedas nos picos e uma faixa reta clara no meio representando a média

Em janeiro, entrou o dobro. Em fevereiro, quase nada. Quem vive de renda que muda sabe que a conta do aluguel não muda junto. Planejar o mês olhando só para o que entrou é a receita para passar o ano tentando adivinhar quanto pode gastar.

Este guia reúne o que o Banco Central, o governo federal e o IBGE dizem sobre o assunto, os números do MEI em 2026 e um método simples para trazer previsibilidade a uma renda que não tem.

Quantas pessoas vivem assim

O IBGE contou 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria no Brasil em 2025, 2,4% a mais que em 2024. Cerca de 72,9% deles não tinham CNPJ [5]. A taxa de informalidade ficou em 38,1% em 2025, ante 39,0% em 2024 [5].

Um cuidado de leitura: "informal", na definição do IBGE, não é sinônimo de MEI nem de renda variável. A categoria reúne, por exemplo, empregado privado sem carteira, conta própria sem CNPJ e empregador sem CNPJ [5]. Mas o retrato mostra uma coisa: organizar o dinheiro com renda irregular não é exceção. É a situação de milhões de pessoas.

O que o Banco Central diz sobre receita variável

O Banco Central define receitas variáveis como as que "variam de um mês para o outro", com exemplos como comissões de vendas e aulas particulares. As fixas são as que não mudam [1]. O material não traz uma regra específica para quem tem renda irregular nem um número de meses de reserva, mas três princípios servem de base:

  1. Regra de ouro: manter o orçamento superavitário, isto é, gastar menos do que se recebe [1].
  2. Pague-se primeiro: separar a reserva assim que o dinheiro entra, de preferência por transferência automática [1].
  3. Lembrar dos sazonais e dos já assumidos: impostos, seguros e matrículas, além de prestações a vencer e faturas de cartão [1].

Um método simples para renda irregular

O que segue são sugestões práticas nossas, montadas sobre esses princípios. Não são regras oficiais, e não encontramos uma fonte pública que fixe, por exemplo, quantos meses de média usar.

1. Descubra o seu piso. Some as despesas essenciais do mês: moradia, contas básicas, alimentação, transporte, saúde. Esse é o valor que precisa ser coberto todo mês, não importa o faturamento.

2. Planeje com um número conservador. Em vez de usar o mês melhor, use um valor que você alcançou na maioria dos meses recentes. Qual período olhar é uma escolha sua, e quanto mais irregular a renda, mais cautela vale.

3. Pague a si mesmo um valor fixo. Quando entrar dinheiro, ele não vai direto para o consumo. Vai para uma conta de passagem, da qual você retira um valor combinado por mês. Nos meses fortes, o excedente fica lá. Nos fracos, ele sustenta o mesmo valor.

4. Separe antes de gastar. Reserve a parte dos impostos, dos custos do trabalho e dos gastos sazonais assim que o dinheiro cair. Esse dinheiro não é seu ainda.

5. Faça a reserva maior. A lógica é a inversa de quem tem salário fixo: quanto mais instável a renda, mais folga você precisa. A Serasa, por exemplo, sugere de 9 a 12 meses de despesas essenciais para autônomos e PJ [8]. Veja como calcular no guia da reserva de emergência.

Para saber quanto você gasta de fato, comece pelo fechamento do mês.

Se você é MEI: os números de 2026

As informações abaixo são gerais e mudam. Confira sempre no Portal do Empreendedor e, em caso de dúvida, fale com um contador.

Item Valor em 2026 Fonte
Limite anual de faturamento R$ 81.000 [2]
Proporcional no ano de abertura R$ 6.750 por mês de atividade; fração de mês conta como mês inteiro [2]
DAS (comércio e indústria) R$ 82,05 [3]
DAS (serviços) R$ 86,05 [3]
DAS (comércio e serviços) R$ 87,05 [3]
Declaração anual (DASN-SIMEI) Até 31 de maio do ano seguinte, mesmo sem faturamento [3]

O DAS é calculado sobre o salário mínimo de R$ 1.621: 5% para o INSS mais R$ 1,00 de ICMS e/ou R$ 5,00 de ISS [3]. Ele só muda quando o salário mínimo muda [2].

Ultrapassou o limite?

Segundo o governo federal, quem passa do limite em até 20%, ou seja, até R$ 97.200, paga o DAS complementar sobre o excedente e passa a ser microempresa no ano seguinte. Acima de R$ 97.200, o desenquadramento é retroativo ao início do ano, com tributos retroativos [2]. É o momento de procurar um contador, não de adivinhar.

E o teto novo?

O Congresso aprovou um projeto que eleva o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, permite até dois empregados e prevê perdão de dívidas federais de MEI [4]. A notícia oficial de 17/10/2026 diz que o texto segue para sanção presidencial, e não confirmamos em fonte oficial a sanção nem o número da lei. Até lá, vale o limite de R$ 81.000, e o aumento do teto não altera o valor do DAS [2].

Faturamento não é lucro

O limite do MEI é sobre a receita bruta, e não sobre o que sobra. Faturar R$ 6.000 em um mês não significa ter R$ 6.000 para gastar. Desconte os custos do trabalho, o DAS e a parte que você separou para os meses fracos. É por isso que o orçamento de quem tem renda irregular começa pelo que sobra, e não pelo que entra.

O imposto de renda da pessoa física

Ser MEI não obriga nem dispensa a declaração de renda da pessoa física. Quem decide são os rendimentos da pessoa [6]. Para o IRPF 2026, ano-base 2025, a obrigatoriedade vale, entre outros casos, para quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, com entrega entre 23 de março e 29 de maio de 2026 [7]. Se você mistura o dinheiro da empresa com o seu, um contador pode separar o que é tributável do que não é.

Erros comuns

Por onde começar

Escolha a conta de passagem. Combine consigo um valor de retirada mensal que cubra o seu piso de despesas. No primeiro mês forte, guarde o excedente sem tocar nele. O resto vem da repetição.

O Sobrou foi pensado para quem fecha o mês de ponta a ponta: o que entrou, o que saiu e o que ainda está comprometido, sem depender de a renda ser igual todo mês. Entre na lista de espera logo abaixo para ser avisado quando abrirmos.

Este texto é informativo e geral. Não substitui orientação de contador.

Perguntas frequentes

Como organizar o orçamento quando a renda muda todo mês?

Separe o que é fixo do que varia, calcule o piso de despesas essenciais que precisa ser coberto todo mês e planeje a partir de um valor conservador de receita, não do mês bom. O Banco Central pede um orçamento superavitário (gastar menos do que recebe), reserva para gastos sazonais e imprevistos e que você se pague primeiro, separando a reserva assim que o dinheiro entra.

Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?

R$ 81.000 por ano, ou R$ 6.750 por mês de atividade para quem abre a empresa no meio do ano. O teto maior aprovado no Congresso, de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, ainda não vale. Confira a situação no Portal do Empreendedor.

Quanto o MEI paga de DAS em 2026?

Pela tabela do Portal do Empreendedor, R$ 82,05 para comércio e indústria, R$ 86,05 para serviços e R$ 87,05 quando há as duas atividades, com base no salário mínimo de R$ 1.621. O valor só muda quando o salário mínimo muda.

MEI precisa declarar imposto de renda?

Ser MEI não obriga nem dispensa a declaração da pessoa física. Quem decide é o total de rendimentos. Para o IRPF 2026, ano-base 2025, está obrigado quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, entre outras regras. Em caso de dúvida, procure um contador.

Faturamento é o mesmo que lucro?

Não. O limite do MEI é sobre a receita bruta, ou seja, tudo o que entra, e não sobre o que sobra depois de pagar custos e despesas.

Fontes

  1. Banco Central do Brasil. Caderno de Educação Financeira: Conteúdo Básico, versão 2026. 2026. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  2. Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, gov.br. Teto do MEI. Modificado em 16/09/2026. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  3. Portal do Empreendedor, gov.br. Perguntas frequentes sobre o MEI. Modificado em 16/09/2025. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  4. Ministério do Empreendedorismo, gov.br. Congresso aprova pacote do MEI com teto de até R$ 140 mil, dois empregados e perdão de dívidas federais. 17/10/2026, atualizada em 20/10/2026. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  5. IBGE. PNAD Contínua: principais destaques do mercado de trabalho, 2012 a 2025. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  6. Receita Federal. Quem é MEI está obrigado a declarar o Imposto de Renda?. Atualizado em 30/04/2024. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  7. Ministério da Fazenda. Receita Federal anuncia regras para declaração do IRPF 2026. 17/03/2026, atualizada em 26/10/2026. Consultado em 29 de outubro de 2026.
  8. Serasa (empresa de crédito; fonte secundária). Reserva de emergência. Atualizado em 07/08/2026. Consultado em 29 de outubro de 2026.

Conteúdo informativo e geral. Não substitui orientação de contador, advogado ou consultor financeiro certificado. Como escrevemos e corrigimos.

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